quarta-feira, 6 de julho de 2011

Canção emudecida

Sabendo da existência e desconhecendo a origem
sua destreza astuta e rastejante à mim hoje se apresentou.
Violenta e amarga, sua alma cortante rasga e fere.
Impedida pelo silêncio imposto ao outro distante
não mata, finda. O fim se inicia ao ouví-la.

Conhecê-la eu jamais desejei!
Já que as luzes atravéz do prisma em emprestadas cores, me fazem vital
Prefiro ao toque silencioso dos lábios pulsantes que amam. Não se calam!
À viagem para o outro planeta guiada pelo seu solo perfeito que me toca em transe.
À meditação divina da nudez disforme, expressa em primorosa elevação do desejo.

Não se aconchegue muda canção! Não serás acolhida! 
Esta alma clama pelo ruído das palavras, vibra somente ao agito dos acordes.
Ao improviso lunático e delirante orquestrado pelos sentidos,
sedentos vestidos de poesia subversa e estética agressiva.
Oh canção emudecida!
Não violente. Não aprisione. Não me impeça de ouvir!
Dançar...