sábado, 9 de julho de 2011

Clave de sal

O sol disse oi.
Reluzentes raios atravessaram minha janela, que por hoje não se abriu.
As cores refletidas se apagaram diante do poço e da imagem.
Quisera eu jamais tê-la. Jamais tê-la me olhando.

Ele me convidou para o seu mundo, mas os caminhos estão interditados.
Tocou-me em cantigas que não ecoam a sua voz e nem seus dedos.
Dedos anelados pelo símbolo vazio ou incompleto que figura o acaso.
O sal escorre sobre as maçãs. Pela face, me toca tristemente aveludado.
Horas a fio...

Toca-me a triste cantiga das águas, entre espasmos soluçados cheios de dor.
É um poço sem fim.
Sem clave.
Sem letra.
Sem acordes e sem música.
O corpo fica e se arde. As asas queimam e se vão...
Infinitas inglórias serão as cinzas dos dias sem memória, que ainda virão.
"..."

***