domingo, 11 de setembro de 2011

Por onde andei?


Na infância de latas nos pés
Risos fáceis e tolos diante da lua
Corre, salta, grita o suor da pele
E se esconde no beco alegre da rua

O ponteiro salta e corre do tempo
Que traz as marcas no rosto
E o caderno de rabisco que despaginou
As latas agora soam música
E tocam o silêncio do brilho que ficou

Nos prometem o caminho em linha reta
Mas não dizem de quem são os pés
Que seguirão a estrada escolhida por eles
Por onde andei?

Se faltar luz, não os perturbe
Se faltar água, não vos chame
Se faltar o gosto, amargue a solidão
E siga pelo caminho dos pés da multidão
Por onde andar?

Se quiseres vida, morra ao menos uma vez
E respire o cuidado de ser o seu espelho
Mas não se afogue na abundância do sentido
E nem rasgue as asas que te levam ao céu

O sonho tanto perseguiu que me encontrou
De tão farto e belo feito pelo tempo escasso
Repentina face estranha de alma vencida
O beco do meu olhar atravessou 
A velha alma de metal distante agora ressuscitou