domingo, 31 de julho de 2011

(Ad)versos

Minhas mãos movem-se frias pela provoção do silêncio,
mil e quinhentas cilindradas rasgando cada centímetro de mim.
Olho para o lustre e o vejo em desenhados raios que entram
e se enterram como se a qui fosse a primeira casa.

As pancadas não desaceleram. Sentida falta de sentidos.
Provocação dos olhos que não impede a morada
do impulso impetuso, imperativo, incolor,
entre os paginados avisos não há retorno sem dor.
Na sala, sob o veludo cor de pele me reviro
entre os lados a memória chega e se aconchega.

Certo palpite com linda imperfeição,
beijo quase roubado, desatento chegado.
Uma caixinha musical infinita que de tão particular
tinha um Monte de amor e outro de sabor.
Até um dragão de metal chegou. Deixou as chamas...

Os olhos refletiam seu lago,
o brilho das águas em movimento.
Quanto querer em tão pouco momento.
Se alastrou, não houve contentamento....

Cada novo dia uma velha caixa. Dentro vontade,
transbordante saudade desafiando as janelas do tempo.
Interrogo então o giro da terra, que me fez
reencontrar o ponto de partida, certo desalento.
Onde estarás neste momento? O ponto...
Talvez  no equilíbrio do meio fio que corta
a coragem do efêmero efeito. Um tanto quase desfeito.

Os outros, ahh... Há antigos outros...
Desencorajam o ponto, partido da partilha.
Juntam-se os fatos, os fracos e os quatro.
Dois que caminham e outros dois que dividem-se
de panos e letras aos pedaços. Multilacerados...

Um raro filme  de cenas cortadas,
cortinas prontas lilás, listradas ou letradas.
Traços de traças em finas taças.
Arredios versos de póstumas falas que sóbrios vivem
pela ausência dos certos.
Quando a falta, há fala...

Eu saberei escutar, sim eu já sei!

Crer que haverão outras fotografias,
reveladando estranhamente uma longa conversa.
Haverão outros campos, outros tantos.
Um simples acorde de velho vinil,
que possa me tocar sem prantos...

Lírios e borboletas, você poderiam me segurar pelas mãos?
Eu também posso voar...
***